quarta-feira, 26 de julho de 2017

O Paradoxo do Hedonismo



Não creio que algum de nós se lembre propriamente como começou, mas habituei-Te desde cedo à sensação dos meus dedos no Teu pescoço, uma garra de poder que Te transmite duas certezas: sim, podia acabar conTigo… e não, jamais o faria.

Se me perguntasses porque o faço, provavelmente pausaria, franzindo o sobrolho. Nesses momentos a minha articulação é outra, e certamente já Te habituaste a escutar mais depressa as minhas acções, quando a rotação da excursão já ultrapassa a linha vermelha de aviso. A realidade encontra-se na minha mente. Poder-Te-ia responder, se o desejasse. O problema reside no facto da verdade me inquietar, tornando-me vulnerável e menos forte do que aquilo que desejo ser para Ti. Os dedos à volta do Teu pescoço relembram-me da Tua fragilidade, e como seria fácil algo ocorrer, privando-me da Tua presença. A Tua vulnerabilidade, pressionada pelos meus dedos na delicadeza da Tua traqueia, relembram-me que ainda estás aqui, comigo, e que ainda posso desfrutar-Te. Amar-Te. Um post-it na ponta dos meus dedos, ordenando-me que saboreie Tudo, porque a vida é efémera e muitas vezes cabe e acaba na palma da mão. Quando aperto o cerco e Te observo perto daquele precipício, a excitação apodera-se de ambos. Todavia, o prisma da exaltação é distinto entre Nós. Enquanto Tu implodes na sobrecarga de poder, submetendo a existência à redenção da petite mort… eu, sublevo-me na confrontação dos meus medos, principalmente, aquele de Te perder.

Wanderlust



Sea you later!

Everybody's Got a Thing


terça-feira, 25 de julho de 2017

Estado da Luz



Levantas os braços
Para apanhar o cabelo
Para Te espreguiçares
Ou para recolheres um livro da estante…
E pergunto-me
Se Te apercebes
Como os Teus flancos
Desprotegidos
Despoletam mil e um
Pensamentos em mim…
Como esses punhos acima da tua cabeça
E esse corpo alinhado num ponto de exclamação
Invocam uma vontade ancestral
De Te arrastar para a minha Escuridão
E ver quão brilhante é a Tua Luz.

Wanderlust


Sem Meias Medidas


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Jardim dos Fugitivos



Decorria o ano 79, quando
Um vulcão entrou em erupção
E aniquilou 500 anos de civilização
Devastando a sua História
Até não poder ser reescrita
Sem o seu nome grafado na mesma.

Ele acorrentou-Te
No seu peito
E deixou-Te suspensa
Na ponta dos seus dedos
Para que a Tua garganta
Estivesse sempre engasgada
Nos fumos que sopravam da sua boca
E na lava que escorria das suas entranhas.

Tu, jamais esquecerás o seu holocausto na Tua pele.
Ele, jamais recordará outra coisa qualquer.