segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Rua de Passos Manuel 178, 4º Piso



Ela confessa
Detestar o sabor
Do Whisky
Excepto quando o prova
Na minha língua.
Desejo ser o Tal
Mas amar-me
Provoca uma ressaca
Dos diabos
E quero Tudo
Menos tornar-me um mau hábito
Do qual precisa
Recuperar.

Everybody's Got a Thing


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O Sumo da Súmula



Quero roubar todo o ar que respiras. Torná-lo refém até despir todas as Tuas emoções, como tantas outras roupas que tombam pelo chão… envergonhadas, gastas e escusadas. Quero ver-Te sob os Teus alicerces, dissecar-Te para além das inseguranças e neuroses. Quero saber qual a cor que o desespero adquire em Ti.

Esta não será a descrição do Teu real desejo? O tal que cortejas… o tal pelo qual pestanejas… e que Te cobre pelas noites, quando esses dedos se ocultam entre as Tuas coxas na tentativa de germinar algo? Pois então, desmoronemos o teatro. Dispensemos a audiência. Expulsemos a orquestra. Desmantelemos o palco até restarmos apenas os dois e o chão de madeira como companhia. Quero ouvir-Te suplicar… sem gemidos ou suspiros entrecortados. Escutemos a Verdade! Dizes querer provar o néctar do medo, mas não creio que saibas realmente ao que aspiras. Escorre vontade na Tua dicção, como se cogitasses um arroubo de magia assente em entretenimento. Dizes querer ser subjugada… prostrada à minha mercê… mas não creio que tenhas consciência do impacto da realidade sobre a Tua fantasia.

Quero Metamorfose. Manifestada através Ti. Quero que saias diferente da forma com que Te apresentaste à chegada. Quero que leves algo conTigo. Quero que aprendas e apreendas… mas ainda não delineei o que desejo ensinar e entregar. Tu vês as ondas, mas eu atento naquilo que as forma… nas ideias que compõem uma na outra até se tornarem suficientemente densas para me engolires por inteiro… para Te revirar de dentro para fora… epitomando-Te a uma poça molhada no chão.

Sem Meias Medidas


Foodie… do


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Raio X



Raramente me sinto tão desarmado como nos momentos em que Te despes. Cada peça resvala das linhas do Teu corpo com a urgência de uma avalanche… e limito-me a olhar. Não se trata propriamente de impotência, mas de êxtase. Perlongo em assimilação e a minha mente formula numa janela de tempo que não me enquadra além da função de recetáculo. Olho, observo, disseco, contemplo. Sem ação!

Por muito paradoxal que possa soar, dominar não se resume a empossar. Isso seria apenas o brinquedo fastidioso de um ditador frívolo. Dominar é controlar a fluidez do Poder, direcioná-lo, permitir que respire como um bom vinho. É encarnar Tifão, estacado no centro de uma tempestade a controlar os relâmpagos. E sorrir! Sorrir ensandecido quando vislumbro a forma como essa pele absorve a luz. Pois apesar de me encontrar atado, reivindicarei cada parcela do Poder que repousa nessas mãos, quando sentires o peso invocatório da rendição, sob o jugo da dissimulada inação.

Everybody's Got a Thing