domingo, 24 de dezembro de 2017

iLiteracia



Julgas que Te viram Nua
Só porque não tinhas roupa vestida?
Pergunta-lhes sobre os Teus sonhos…
Sobre aquilo que Te quebra o coração…
O que Te faz rir? O que Te faz vir?
O que Te faz pensar?
O que Te faz chorar?
Pergunta-lhes sobre a Tua infância.
Melhor ainda, pede-lhes
Uma história Tua…
Na qual se encontram ausentes.

Viram a Tua pele, e
Tocaram no corpo.
Mas… sabem tanto de Ti
Como de um livro que acharam um dia
Mas nunca se dignaram a ler
Folhear, e
Reverenciar.

Permite-me
Tecer a minha história na Tua.
Enlear de tal forma
As nossas narrativas
Que ninguém conseguirá ler
Um dos meus capítulos
Sem aprender sobre Ti.

É Dezembro…
Um mês de pôr-do-sol carmesim
De pássaros tão ausentes quanto a chuva
De noites luminosas
De lareiras crepitantes
De suspiros profundos no mar
De apaixonantes ventos melódicos nos pinheiros
De pensamentos, palavras e actos embrulhados em Ti.




P.S.: Após as festividades natalícias, vou ver como crepitam as fogueiras da passagem de ano de Reiquiavique... e já venho...

Everybody's Got a Thing


Sem Meias Medidas


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Elo(Quente)



O truque não é encontrar alguém que o faça melhor do que Tu. Se esse for o Teu critério travas uma batalha perdida, porque não existem assim tantos mortais com o devido conhecimento da anatomia feminina. Porque é que algumas perdem tempo com esfomeados, quando podem ter uma criatura que inicialmente brinca com a comida, assimila-a com todos os seus sentidos e posteriormente a devora sem apelo nem agravo? Para que perdem tempo com papalvos que estraçalham lingeries assim que os tecidos que as vendavam tombam no chão, ignorando a pequena janela de tempo crucial para a contemplação da arte, do tempo e da dedicação que uma Mulher emprega na sua seleção?

O truque é encontrar Alguém que o faça de uma forma que Te leva a esquecer como o fazes. O grande senão da masturbação é a sua dependência da imaginação. Não existe intervenção de uma força exterior, esquadrinhando trilhos sob a Tua pele para se fincar na Tua mente e no Teu coração com os mesmos dedos destros. A Tua imaginação não tem o poder da imprevisibilidade. Não Te surpreende com o soluço do inesperado. A Tua imaginação jamais Te irá foder como eu Te fodo. Não Te fará vir uma e outra vez… e outra vez… e outra vez… fazendo-Te suplicar que Te deixe vir em cada uma dessas vezes. Não dirá sim, no instante que o pedires. Nem Te negará na próxima solicitação… abeirando-Te do precipício da sanidade e permitindo, sob os meus termos, que mergulhes no abismo do deleite. A Tua imaginação jamais Te avassalará em poder, nem Te liquefará em paixão. E temo que a Tua imaginação jamais Te clamará como a sua Puta, beijando-Te na testa e envolvendo-te na ternura de um par de braços eloquente na justificação transcendental de tal epíteto. A Tua imaginação jamais tomará conta de Ti… mas para Tua Felicidade… encontro-me sempre por perto.

Everybody's Got a Thing


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Seis Anos de Suspiros de Libido



Aquilo que escrevo
Talvez não sejam poemas
Mas Ela certamente espera
Que a ame como um.
Ela espera que A veja
Como uma Sinfonia
Como uma Escultura
Como uma Pintura
Como Argila
Como Algo em que posso usar
As mãos.
Ela espera que A sinta
Como cada pôr-do-sol
Perdido
Quando olhava noutra direção.

Ela desconhece como representa
A minha Direção.
Ela jamais saberá
Como penso
Mas espera que pense
nEla.
Talvez tenha o pensamento enevoado
Pois as minhas mãos acumulam nuvens
Dentro dEla
Curvas avolumadas
Ventos convectivos ascendentes
Até tomar consciência
Que uma Tempestade
Está para vir.

Sem Meias Medidas


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

À beira da(s) Luz(es)



Peço desculpa, pelo meu conceito de intimismo se traduzir no ato de pintar as Tuas unhas dos pés. Peço desculpa, por Te querer beijar quando as folhas caídas desenham tornados lá fora. Peço desculpa, por Te querer beijar quando as nuvens beijam o chão, quando o Sol beija o mar e quando a Terra fica sonolenta. Peço desculpa, por Te querer beijar quando sorris, quando choras ou quando falas demasiado rápido. Peço desculpa, por não me conseguir embebedar à Tua beira sem que uma torrente de palavras tatue os meus segredos na Tua corrente sanguínea. Peço desculpa por substituir palavras meigas de amor pelas Tuas nádegas rosadas… por substituir fitas natalícias pelos fios dos Teus cabelos… por substituir os postais desta quadra pelas fotografias lascivas que Te tiro.

Sem Meias Medidas


sábado, 16 de dezembro de 2017

Égide



Tento Ser
Um pequeno deus.
Não quero explodir
Nem implodir
Uma estrela.
Não quero rodopiar planetas
Na ponta dos meus dedos.
Não quero tricotar átomos
Nem manifestar-me
Através de um profeta
Ao qual se ajoelham
E do qual deduzem planos.

Quero apenas
Dois dedos de deus.
Apenas o suficiente
Que me escore
Com divindade suficiente
Para Te atordoar
Ao meu lado.
Apenas o suficiente
Para não temeres
Mil e uma mortes
Sob a minha Égide.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Viral



Depois da obsessão pela Tua boca, pela Tua pele, pelos Teus suspiros, pelas Tuas súplicas entrecortadas, pelo escrutínio das Tuas expressões e maneirismos… detenho-me no “Resto” de Ti. As horas tiveram o devido usufruto… relampejando enrubescimento no Teu rabo com a palma da minha mão, trovejando batimentos cardíacos assolapados pelas estocadas de uma comunhão ensandecida… até atingirmos o zénite do crescendo, ecoando e escoando pelas paredes do quarto. Depois da tempestade, a minha mão gosta de repousar na bonança de ritmos contemplativos. A ponta dos dedos percorre o tracejado dos brasões doridos que infligi na Tua carne… assimila o calor que emana das vagas de pulsação barulhenta que inflama as Tuas veias. Por vezes, enquanto estivermos serenando os corpos prostrados, sussurrarei no Teu ouvido. Palavras desconexas… murmúrios desordenados de um sonho lúcido. Como se tentasse jorrar pensamentos verbalizados… algo que escorresse pelo Teu ouvido e fosse embebido pela Tua consciência. Algo aparentemente desarticulado que proclama numa linguagem ancestral um nicho de conforto. Um porto de abrigo, após uma tormenta orgástica. Envolvida pelos meus braços e pela minha mente, sem qualquer parte de Ti ignorada ou rejeitada. Perdidos e achados numa neblina de languidez. Até me identificares como o Bálsamo para o Ardor que Te havia igualmente aplicado. Até me identificares como o Veneno… e o Antídoto.

Sem Meias Medidas


Foodie… do


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Dr. Jekyll and Mr. Hyde



Claro que existirá sempre um elemento de cariz animalesco na minha interação conTigo. Se refletires um pouco, muito daquilo que fazemos é reduzir em lume brando a nossa Essência até atingirmos o ponto de bestialidade. Os instintos primais que dominavam a quadrilha quando dificilmente nos mantínhamos estáveis em duas pernas. Driblamos os obstáculos civilizacionais e estilhaçamos os grilhões da sociedade. J.J. Rousseau ficaria orgulhoso de Nós.

Todavia, o fascínio ocorre pela forma como se arreia a besta quando ela evade. Não confundir com domesticar! Pode ser utilizada uma mordaça, uma gargantilha, um cadeado ou até uma vergasta… mas o intento não é domar o lado selvagem. Busca-se o ambíguo. Posso desabar uma mão possessiva sobre Ti, mas julgarás que estou a marcar território ou a acariciar o delicioso empinar desse rabo? O que porventura ignoras, é que o faço com um nível de autoconsciência que me permite filtrar por instantes o pior que habita em mim… a besta retorna à sua jaula e o superego prevalece. Contudo, gosto de pensar que o pressentes, algures, rosnando atrás das grades. Aguardando pelo momento em que o aloquete chocalha e ele se liberta novamente. Quando ele morde a Tua carne e estampa a sua marca, aquele selvagem, ruborescendo as Tuas bochechas, abandonando-te com a marca das suas unhas nas Tuas coxas. Cada molécula do meu ser refastela-se na poltrona e observa-o a tomar conta da situação… a tomar conta de Ti… pronto a intervir se a circunstância se abeirar do instante irremediavelmente ensandecido. Não é esquizofrenia… é uma Orquestra! Um espalhafato de som e emoção, entre Homem e Animal e tudo aquilo que deambula entre eles. A Ti, cabe a função de me persuadir a fazer do Palco uma Cena de Crime.

Everybody's Got a Thing


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

ReCantos Sombrios



Aquela Cena era o materializar de uma Fantasia, mas a corda enterrava-se nos seus punhos com a pertinência da Realidade. A cave por estrear na nova casa, providenciava uma câmara de ecos para uma tertúlia física, na qual Ela pretendia desvendar mais alguns dos meus Recantos Sombrios. Claro que providenciaria algumas revelações… através de sussurros no seu ouvido enquanto a fodia… onde o poder de cada estocada fincava ainda mais a ânsia que Ela tinha pela Cena. A revelação alojou-se na sua mente, embrulhando-se com as suas próprias fantasias. E naquele instante, a corda simbolizava a purgação de semanas de expectativa. Abandonei-a lá em baixo, privada das suas vestes e devidamente amarrada. Não deixei quaisquer instruções, apenas lhe assegurei que sobreviveria… e que eventualmente, ou melhor, afortunadamente teria uma epifania.

Quando desci, parecia trajado para um evento. Afinal de contas, sob o escrutínio de qualquer Mulher que se preze, um bom fato representa aquilo que uma boa lingerie representa para um Homem. Vestia ainda um sorriso viajante… que lhe comunicava com eloquência como a minha imaginação carburava a todo o vapor. Ela detestava aquele Sorriso. Ela amava aquele Sorriso. Contorceu-se na corda e fitou as minhas mãos.

«Isto não será como Tu pensas que seria.»

Foi assim que comecei. Com esta trapalhada gramatical propositada. Circundava-A como um predador se movimenta numa jaula… só que Ela também se encontrava na jaula comigo. Talvez se sentisse como alguma espécie de sacrifício, todavia desconhecia qual seria a parte que eu buscava nEla. Qual seria a parte que Ela teria de ceder… e perder.

«Não Te irei bater. Não Te irei açoitar.», deslizava a minha mão pela sua coxa, «Não Te irei quebrar.»

Ela nada replicava… além de um vocabulário reduzido a vogais e “m’s”…

«Em vez disso, irei saborear-Te. Lentamente…», as palavras escorregaram para longe, assim como as minhas mãos… e o instinto dela foi seguir-me com as suas ancas… como se suplicasse por mais um pouco daquele toque.

«E mesmo assim, quando terminar, apenas restará de Ti uma pilha de catarse…»

Esta não era claramente a minha Fantasia retorcida. Aquela que lhe havia sussurrado. Era algo totalmente diferente, mas o impacto da surpresa surtiu de forma igualmente avassaladora. Ela pretendia ser emboscada, mas havia considerado outra forma de embuste… pois não sabia, nem estava preparada para lidar com este…

«Por fav…», tentou formar uma derradeira súplica, para que me tornasse no sádico que ela poderia entender… ao invés do charmoso maquiavélico que lhe parecia bem mais perigoso. Mas estanquei-lhe a prece com borracha… forçando a mordaça entre os seus lábios.

«Estala os Teus dedos se desejares que pare.»

Sussurrei no seu ouvido as minhas últimas palavras, antes de lhe trespassar com dois dedos famintos por mel entre as suas pernas, expelindo todo e qualquer resquício de pensamento que ainda deambulava pela sua mente… mesmo nos seus Recantos mais Sombrios.

Sem Meias Medidas


Foodie… do


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Chuva Convectiva



Cai uma chuva fria
E os sapatos enlameados
Ficam de sentinela à porta.

Os casacos pingam
Pendurados no cabide
E a chuva possui uma voz.

O telhado e as janelas
Entoam a sua linguagem
Enquanto despes as roupas ensopadas.

No canto do compartimento
Silêncio… sinto-me pó…
Ou uma teia de aranha.

Tácito… Encurralado
Até o olhar da Tua desatenção
Perpassar o meu.

Então despes-me
As roupas juntam-se no turno dos sapatos
E os corpos resvalam.

Um no outro
Como os casacos no cabide
E o nosso Amor é a chuva.

Essa chuva que declama
Nos murmúrios de mãos e lábios
Que chovem sobre Nós.

Everybody's Got a Thing


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Sufoco de Sófocles



Respira bem fundo. Por mais perverso e depravado que Te pareça, este é o Único Momento para expiares toda a tensão de uma Alma fodida por neuroses e inseguranças transportadas desde a infância, que a negação universal utiliza como amparo para a desintegração. Expira o Ar que sustiveste durante décadas, contendo-o de tal forma que gerou aquela dor tão profunda que marca o compasso da maioria dos mortais mecanizados por ambições fúteis. É uma purga… uma dor que varre uma dor supina… fragilizando-Te e regenerando-Te. Desnudada, mas jamais desamparada. Não Te acanhes. Não Te assustes. Sê corajosa, por um Momento. Deixa-me entrar. Pois uma vez aí dentro, poderás dispensar toda a coragem. Bastar-Te-á Ser… Existir… e sobretudo, através de Tudo, terás a catarse que Te apartará do mundano.

Sem Meias Medidas


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

A Evolução da Ebulição



Jamais sejas aquilo que julgas que eu quero. Esta é a melhor advertência que Te poderei dar, se desejares preservar a Tua imagem imaculada. Não mintas comigo… não mintas conTigo própria. Não montes um teatro para criar algo quer não és, com o intuito de acariciar o meu ego. O meu ego é intangível… trata-se de uma jupiteriana ereção de autonegação escorada com o refinamento de uma enviesada autoconfiança. Não necessita das Tuas vãs tentativas de construção de uma interpretação incorreta da Menina/Mulher que me impele.

Isso não prende a minha atenção. Quero que me desafies quando discordas da seleção de palavras… quando estremeces com o raio estrambólico de atividades cogitadas pelo meu lado sombrio… quando os Teus olhos adquirem um lençol de gelo e logo a seguir se liquefazem em lava que distorce a Tua maquilhagem. Preciso que a tonificação do carisma seja proporcional à tonificação do corpo. Sou uma criatura que se alimenta de reações e se apenas me concederes respostas insipidamente mecanizadas, a deceção será incontornável. Não preciso de papagaios que apenas verbalizam o vocabulário que vagueia pela minha mente. Quero uma Mulher, jamais uma Submissa! A submissão será sempre um extra, um vício da personalidade, uma vertente… ao invés de uma característica definidora. És a intelectual, a culta, a divertida, a mordaz. És o toque no meio da noite, que me faz sentir afortunado pela perturbação do meu sono mais profundo. És a Mulher que sabe enquadrar o significado de prazer na dor. És a Rapariga que disponibiliza com olhar ávido os seus punhos em prol de uma respiração entrecortada. És Alguém que me deixa em constante Estado de Sítio, enquanto a maioria se esvaece em Cessar-Fogo. És Alguém que assimila a Verdade insofismável: o Conflito instiga a Evolução.

Everybody's Got a Thing


Foodie… do


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Chanfro



Desde que hajam marcas, existem provas.
Ela pode deslizar os dedos pelo plissado da pele, reconhecer os sulcos e os vincos, a forma como foi embrulhada por algemas, cordas e grilhões.
Embrulhada, é definitivamente a palavra mais adequada.
Mesmo que uma hora do tempo (esse tirano) passe sobre o momento, as marcas permanecerão. Tudo aconteceu. Não é apenas o resquício de uma memória quebradiça, intercalada com fantasia e embelezamento de qualquer patética, rebuscada, desesperada e simplória Sombra de Grey. Ela não precisa de idolatrar nem demonizar o momento. Basta um suspiro. A assunção da realidade. Certamente exausta, mas embrulhada pela Verdade que paira no quarto, como um Perfume. Por muito que deseje tocar nos padrões que estampei na sua pele, não se atreverá a roçar os seus dedos, com receio de os apagar. A retrospetiva é um exercício deveras engraçado… pela forma como alumia as razões que nos desproviam antes de um determinado momento no passado. A Emoção, essa será sempre o derradeiro Vestígio do Presente… sem qualquer tipo de Sombra… de dúvida!

Sem Meias Medidas


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A Luz ao Fundo do Túnel



Sonhei conTigo… antes de Te sonhar.
Facto que representa o cerne de qualquer Utopia. A familiaridade do desconhecido… a intimidade do anonimato… Os minutos que ainda tenho por viver, os lugares que ainda tenho por preencher, os sectores não cartografados do mapa que desesperadamente tento explorar.
Vivi conTigo… antes de Te viver.
Deambulava pelos corredores sombrios do meu Sonho, tendo apenas a Audição como candeia dos meus sentidos. Sempre que escutava algo, a ideia tropeçava pela minha mente como uma bola de lotaria… aguardando pela conjugação perfeita de circunstâncias para ser dispensada a minha fortuna.

Leva então a minha psique… serve-Te daquilo que Te valha e planta a semente de uma Ideia. Algo que belisque a minha curiosidade, algo que me alvoroce pelos minutos de cada dia. A minha mente é fértil, minha Alma Eterna. E nada temas, se Te sentires perdida quando a Luz se esvaecer do Teu Caminho… pois avistarás os meus olhos cintilando no seio da escuridão do Nosso Universo Paralelo… acompanhados por um sussurro:

«Tenho aqui o Teu destino…»

Everybody's Got a Thing


Foodie… do


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Elementar



Há um Vento em mim
Que se Lembra.

Umas vezes
Em Sopro.

Outras vezes
Em Tornado.

Há uma miríade de tempestades
Na Tua direção
E eu
Sou o perfume da Terra
O murmúrio do Ar
As garras da Água
E a língua do Fogo.

Lá longe
Onde sonhas
Um animal ruge pela sobrevivência
E escutas-me
Como uma Alcateia
Na Tua peugada onírica
Atiçado pelo fervor do Teu sangue.

Sem Meias Medidas


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Resquícios da Sentença



Irei provar-Te
Apresentando evidências
De como Te amei
Chamando testemunhas
A depor:
Pulsos carmesins
Rímel escorrido
Nádegas escarlates
Mamilos túrgidos
Ombros ferrados
E lábios
Cada um deles
Comprometido
Com o Êxtase.

Everybody's Got a Thing


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Epítome de uma Distância



Não pares!
Perde-Te no momento, mesmo quando o administras… e ministras. Não paralises. Não Te detenhas no feitiço dos suspiros que Ela desenha no ar. Corta-lhe o ar. Mão na sua garganta. Espreme! Trata de obstruir essa traqueia. Aperta. Não penses. Pausa. Inspira. Continua. Não pares! A venda agita-se. Os olhos dEla mexem-se mesmo sem conseguirem ver. Aprecia-o. Aprecia-A. Estima-A. Fotografa com os Teus olhos o instante em que Ela abre os lábios. Agora mexe-te! Desce a mão. Afasta-lhe as coxas. Invade-A. Clama-A. Quando comprimir as coxas como uma ostra, emprega o ensejo como algo proveitoso. É cooperação. Investe os dedos. Tecla-lhe gemidos. Contempla como se contorce. Silencia-A… com a boca. Numa colisão trapalhona de dentes. Ri, mas garante que o riso expira nesse beijo. Olhos bem despertos. Os dEla esvaecidos. Ela agarra-se à tua boca como se fosse a última coisa do seu mundo… o derradeiro elo tangível. És um deus para Ela. O destino dEla pertence-Te. Pequena Morte? Grande Morte? Corta-lhe novamente o ar. Afunda-lhe o polegar na traqueia. Atenta no seu rosto. Espera... Espera... Espera... Agora liberta-A. Ela engasga-se. Beija-A. Que o ar lhe ateste os pulmões. O teu Ar. Ela tosse por um breve instante. Afasta-te um pouco. Mas não lhe deixes tomar fôlego. Atira-A para o chão. Para o teu chão. Ela tropeça. A forma como o seu ombro bate no chão sacode-te um pouco, mas tens noção que Ela prezará a equimose. Ela não pensa em dor neste momento. Ela não pensa em todas as formas que empregaste para lhe contundir… para lhe deixar o fardo de deliciosos brasões que terá de carregar. Ela não pensa. Tu não pensas. Agora não há lugar para hesitações. Nem reflexões. Perde a tua mão num punhado dos seus cabelos. Sente o emaranhado em cada nó dos teus dedos. Puxa-a e hospeda os teus lábios no seu ouvido…

«Quero rasgar a Tua carne e fazer do Teu âmago o meu Lar. Quero foder-Te até perder a visão e ficar em pé de igualdade com essa venda. Quero fazer dos Teus suspiros a candeia que alumiará o meu Caminho até Casa.»

Sentirás as palavras voando através dos dentes e por uma fração de tempo, não te reconhecerás.
Não pares!

Sem Meias Medidas


Foodie… do


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Palangre



Divertido. Era o meu estado de espírito. Não num sentido pueril. Era como naqueles momentos em que nos entretemos com as chamas de uma fogueira ou com o crepitar de uma lareira, antes de nos queimarmos. Ela encarava-me com um olhar pirómano. Não demorei muito tempo a aperceber-me disso e aproveitei para me debruçar na ilha da cozinha. Divertido.

«Estás a fitar-me.»

Ela franziu uma sobrancelha e bebericou o seu Arpeggio.
«E tu estás a ser presunçoso.»

Apesar do comportamento passivo-agressivo, distendi subtilmente o meu sorriso. Senti o silêncio a espreguiçar-se como um gato e diverti-me ainda mais com a situação. Não que Ela estivesse aborrecida, mas certamente sentia a circunstância a escapar do seu controlo sem qualquer vestígio de luta. Levantou-se com um riso escarnecido e abandonou a cozinha. Não basta arremessar as mãos na labareda. É preciso testar a ponta das chamas com os dedos. Minutos volvidos, ultrapassado o umbral de outro compartimento da casa, lá me encontrava novamente ao seu lado.

«Agora és tu quem me fita…»
Ela arriscou um vaticínio, mas tratava-se de uma assunção lógica.

«Se desejas que Te persiga, certamente terei de Te manter debaixo de olho.»

Cerrou o olhar, mas não resistiu a soltar um sorriso.
«De manhã não estarei aqui.»

Naquele instante, quem franziu uma sobrancelha fui eu. Escoei um néctar qualquer que volteava no meu copo.

«Bela forma de começar uma tarde».
Dei um passo na sua direção. Uma mão no seu ventre e outra no seu queixo. Detive-me a centímetros daqueles lábios. Ruboresceu. Denunciou a perda de controlo da situação. Daquela confrontação.
«A manhã encontra-se a várias horas de distância. Logo, se o Teu Plano de Evasão é esse, deverias colocar imediatamente em prática um Plano B. Se é que tens algum...»

Ela engoliu. Desta vez em seco. Por um instante, talvez tenha cogitado uma forma de me refutar. De escapar à rede que lhe havia lançado e fazer-me persegui-la novamente.
Mas em vez disso, beijou-me.

Everybody's Got a Thing


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Lusco-Fusco



Estás longe. És um Sol no meu Horizonte.
Há gente que peregrina munida de cifrões para selvas onde vão prestar homenagem a um templo decadente, tirar selfies com estátuas de deuses e monstros barrigudos inventados por um qualquer selvagem leproso. Será que buscam Beleza e Génio? É essa a sua noção de Sublime, enquanto secam os pés de um mar com cheiro a tequila, cachaça ou rum?

És a minha Religião! Por quem me ajoelho na oração de entrelinhas que rezam luzes crepusculares do passado de uma Costa Atlântica. Até Te aperceberes, mesmo a milhas de distância, onde começa o Deus e termina o Peregrino. Até Te aperceberes que apesar de ter demorado mais de sete dias, criei este Mundo para Ti. Até Te aperceberes, mesmo com esses olhos arredados destas linhas, que faço da Transcendência um Tempo Verbal e desse corpo o meu Templo Carnal.

Sem Meias Medidas


Foodie… do


terça-feira, 28 de novembro de 2017

Testamento Empírico



Isto é um livro escrito
Na pele de uma Santa
Com dedos de Pecador.
Em tinta vermelho sangue
Conta a história de uma Deusa
Que se fartou das estrelas
Renunciando aos céus
Pelos braços de um Homem
Que fez do seu colo
Um Altar perene.

Everybody's Got a Thing


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Linguística



Claro que não me importaria
De redigir
Ou declamar
Uma peça de Ficção
Ou Poesia
Na Tua pele.
Algo sobre a sobrevivência
Ao frio…
Algo encharcado em lava
Inferindo uma nota escarlate…
Algo com um posfácio
Que expõe
O sumo dos capítulos iniciais…
Algo que Te acirra
E leva a desejar
Que volte a folhear
E Te releia
Tudo
Lentamente
Devotadamente
Languidamente.